sexta-feira, 1 de agosto de 2014

A ampulheta não para.

          Sei que ser humano é não caber na forma corpórea, é a busca constante de vazar, de um jeito ou de outro precisamos transbordar pra respirar. Somos lâmina que corta ou cura, terror e suavidade, punhos que servem a socos ou para articular um aperto de mãos. Temos a nosso favor a liberdade de opção, mesmo que venha depois de tantas vezes queimar, se debater, enlouquecer pela injustiça, se é que ela, a justiça, não é mero acaso, lugar que nos colocamos.  Transitar neste mar de contradições buscando a exatidão é como buscar a morte. Quero acreditar que nossa matéria principal não é a carne e sentir que sou maior que um corpo tem feito com que reveja o tamanho das coisas. A proximidade com a morte sempre faz com que o gélido do corpo que está ali imóvel, me sacuda violentamente e pense que a vida é só um sopro, um vendaval de encontros que não podemos desperdiçar. Ser feliz é uma ordem, uma busca, um parto para aqueles que se acomodaram na tristeza e cegaram com o excesso de luz. Que a raiva e os tropeços possam ser transformados, pois a ampulheta já virou e a areia não pode parar de escorrer. 




Foto: Márcia Batista
Cachoeira do Sul

domingo, 26 de janeiro de 2014

Formas e forças






“E o que significa viver senão justamente essa ousadia de preencher um molde que um dia então será quebrado por nossos novos ombros, para que, livres, na nova           transformação, nos familiarizaremos com todos os seres magicamente arrebatados”? 
Rilke