domingo, 15 de julho de 2012


"Toda a experiência humana é marcada por afetos. Nietzsche entendeu que a razão poderia ser o mais potente dos afetos, o que significa que nos enganamos ao pensar na frieza da razão, que, em seu imo, move o mundo apaixonadamente". 

Márcia Tiburi

sábado, 14 de julho de 2012

Les Feuilles Mortes


 Oh ! je voudrais tant que tu te souviennes
 Des jours heureux où nous étions amis.
 En ce temps-là la vie était plus belle,
 Et le soleil plus brûlant qu'aujourd'hui.
 Les feuilles mortes se ramassent à la pelle.
 Tu vois, je n'ai pas oublié...
 Les feuilles mortes se ramassent à la pelle,
 Les souvenirs et les regrets aussi
 Et le vent du nord les emporte
 Dans la nuit froide de l'oubli.
 Tu vois, je n'ai pas oublié
 La chanson que tu me chantais.

 C'est une chanson qui nous ressemble.
 Toi, tu m'aimais et je t'aimais
 Et nous vivions tous deux ensemble,
 Toi qui m'aimais, moi qui t'aimais.
 Mais la vie sépare ceux qui s'aiment,
 Tout doucement, sans faire de bruit
 Et la mer efface sur le sable
 Les pas des amants désunis.

 Les feuilles mortes se ramassent à la pelle,
 Les souvenirs et les regrets aussi
 Mais mon amour silencieux et fidèle
 Sourit toujours et remercie la vie.
 Je t'aimais tant, tu étais si jolie.
 Comment veux-tu que je t'oublie ?
 En ce temps-là, la vie était plus belle
 Et le soleil plus brûlant qu'aujourd'hui.
 Tu étais ma plus douce amie
 Mais je n'ai que faire des regrets
 Et la chanson que tu chantais,
 Toujours, toujours je l'entendrai !

Desintegração


 Fico tão assustada quando percebo que durante horas perdi minha formação humana. Não sei se terei uma outra para substituir a perdida. Sei que precisarei tomar cuidado para não usar superficialmente uma nova terceira perna que em mim renasce fácil como capim, e a essa perna protetora chamar de uma verdade Mas é que também não sei que forma dar ao que me aconteceu. E sem dar uma forma, nada me existe. E - e se a realidade é mesmo que nada existiu?! Quem sabe nada me aconteceu? Só posso compreender o que me acontece mas só acontece o que eu compreendo - que sei do resto? O resto não existiu. Quem sabe nada existiu! Quem sabe me aconteceu apenas uma lenta e grande dissolução? E que minha luta contra essa desintegração está sendo esta: a de tentar agora dar-lhe uma forma? Uma forma contorna o caos, uma forma dá construção à substância amorfa - a visão de uma carne infinita é a visão dos loucos, mas se eu cortar a carne em pedaços e distribuí-los pelos dias e pelas fomes - então ela não será mais a perdição e a loucura: será de novo a vida humanizada.
A vida humanizada. Eu havia humanizado demais a vida.

Clarice Lispector - A Paixão segundo G.H

Leonel Pé-de-Vento


Belo, sensível e criativo.

Curta-metragem em animação, 15 minutos, 2006. Direção de Jair Giacomini

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Fotografrar ou ressignificar...


"Revelações nascem do escuro
em varais de espera, em merguhos.
Tempos depois
luzes acendem imagens,
curas."

Além do Bem e do Mal





(Salvador Dali)

Nossas mentes rechaçam a idéia do nascimento de uma coisa
que pode  nascer  de uma  contrária, por  exemplo:  a verdade do
erro;  a  vontade do  verdadeiro da  vontade do erro;  o ato
desinteressado do egoísmo ou a  contemplação pura do  sábio,  da
cobiça. Tal origem parece impossível: pensar nisso parece
próprio de loucos. As realidades mais sublimes devem ter outro
origem, que lhes seja peculiar. Não pode ser sua mãe esse
mundo efêmero, falaz, ilusório e miserável, esta emaranhada,
cadeia de ilusões, desejos e frustrações. No seio do ser, no qual
não morrerá nunca, num deus oculto, na “coisa em si” é onde
deve se lobrigar seu princípio, ali e em nenhuma outra parte.

Nietzsche - Além do Bem e do Mal


Robert Capa
Detalhe: Picasso segurando o guarda-sol


Talvez, quem sabe, um dia
Por uma alameda do zoológico
Ela também chegará
Ela que também amava os animais
Entrará sorridente assim como está
Na foto sobre a mesa

Ela é tão bonita
Ela é tão bonita que na certa
 
eles a ressuscitarão

O século 30 vencerá
O coração destroçado já
Pelas mesquinharias
Agora vamos alcançar
Tudo que não podemos amar na vida
Com o estrelar das noites inumeráveis
Ressuscita-me
Ainda que mais não seja
Porque sou poeta e ansiava o futuro
Ressuscita-me
Lutando contra as misérias do cotidiano
Ressuscita-me por isso

Ressuscita-me
Quero acabar de viver o que me cabe
Minha vida
Para que não mais exista amores servis
Ressuscita-me
Para que ninguém mais tenha
De sacrificar-se por uma casa ou um buraco
Ressuscita-me
Para que a partir de hoje
A partir de hoje
A família se transforme
E o pai
Seja, pelo menos, o universo
E a mãe
Seja, no mínimo, a terra
A terra, a terra
                                                                                                      Mayakovsk