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''Origem das duas Fridas. Recordação. Devia ter 6 anos quando vivi intensamente a amizade imaginária com uma menina de minha idade. (...) Não me lembro de sua imagem, nem de sua cor. Porém sei que era alegre e ria muito. Sem sons. Era ágil e dançava como se não tivesse nenhum peso. Eu a seguia em todos os seus movimentos e contava para ela, enquanto ela dançava, meus problemas secretos. Quais? Não me lembro. Porém ela sabia, por minha voz, de todas as minhas coisas...'' Diário de Kahlo, sobre a tela As Duas Fridas |
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Fridas
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Viver...Vi - ver - ver - vi.
Márcia Batista
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Reinvenção
"Para Nietzsche criar, mais do que um gesto individual, é um processo de
integração e participação na vida. A vida cria em suas constantes
transformações, em seu eterno jogo de vida e morte. Ao homem cabe dizer
sim ou não a este processo, isto o define como homem. Ao dizer sim ao
que os gregos chamavam de devir, o vir-a-ser constante das coisas, o
homem se vê inserido em um processo que necessariamente
leva à criação. Criar é suportar as contradições e intensidades da vida
no corpo, é transformar em signo este movimento excessivo que é viver.
Mas o rumo que nossa cultura ocidental tomou foi outro, ela separou e
opôs o bem e o mal, o corpo e alma, o acerto e o erro, o belo e feio.
Estimular a criatividade envolve, mais do que identificar gênios
criativos, reconstruir, reinventar os laços do homem com a vida."
Viviane Mosé
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Tudo que não invento é falso
Eu não amava que botassem data na minha existência. A gente usava mais era encher o tempo. Nossa data
maior era o quando. O quando mandava em nós. A gente era o que quisesse ser só usando esse advérbio. Assim,
por exemplo: tem hora que eu sou quando uma árvore e podia apreciar melhor os passarinhos. Ou tem hora que
eu sou quando uma pedra. E sendo uma pedra eu posso conviver com os lagartos e os musgos. Assim: tem hora
eu sou quando um rio. E as garças me beijam e me abençoam. Essa era uma teoria que a gente inventava nas
tardes. Hoje eu estou quando infante. Eu resolvi voltar quando infante por um gosto de voltar. Como quem
aprecia de ir às origens de uma coisa ou de um ser. Então agora eu estou quando infante."
Manoel de Barros
A Palavra
Foto: Robert Doisneau
A palavra é uma roupa que a gente veste.
Uns usam palavras curtas. Outros usam roupa em excesso.
Existem, os que jogam palavra fora. Pior são os que usam em desalinho.
Uns usam palavras raras. Poucos ostentam palavras caras.
Tem quem nunca troca. Tem quem usa a dos outros.
A maioria não sabe o que veste. Alguns sabem e fingem que não.
E tem quem nunca usa a roupa certa pra ocasião.
Tem os que se ajeitam bem com poucas peças.
Outros se enrolam em um vocabulário de muitas.
Tem gente que estraga tudo que usa. E você?
A palavra é uma roupa que a gente veste.
Uns usam palavras curtas. Outros usam roupa em excesso.
Existem, os que jogam palavra fora. Pior são os que usam em desalinho.
Uns usam palavras raras. Poucos ostentam palavras caras.
Tem quem nunca troca. Tem quem usa a dos outros.
A maioria não sabe o que veste. Alguns sabem e fingem que não.
E tem quem nunca usa a roupa certa pra ocasião.
Tem os que se ajeitam bem com poucas peças.
Outros se enrolam em um vocabulário de muitas.
Tem gente que estraga tudo que usa. E você?
Com quais palavras você se despe?
Viviane Mosé
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